segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Pressa

Como uma folha dançando no ar
eu queria ser leve e não me importar.
Não me apegar.
Rir de mim mesma ao tropeçar
comer de tudo sem engordar
e espreguiçar muito ao acordar.
Mas a rotina
a correria
me fazem pedra todo o dia.
E o que era doce virou azedo e o antes macio agora é seco.
Rangida de dente
dedo estalando
passo apertado no sapato achatado.
Suor no trabalho
ônibus lotado
cheiro cinza congestionado.
É tudo enlatado?
Não tem espaço e eu querendo ter menos trabalho.
Para e respira.
Se enche de ar.
Faz acalmar.
De dentro pra fora
ora.
Ora.
Hora.
E corre

que já é tarde
e o tempo te come.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Un sueño

Mi objetivo en la vida es que, en esas situaciones en que inesperadamente encuentro a alguien en la calle a quien no veía hace mucho tiempo, pueda decir sin ninguna falsedad:
- ¿Mi vida? ¡Increíble! Me va estupendo en el trabajo. Gano miles de dinero por hacer lo que amo. En mi familia ningún problema de salud y ninguna pelea. Estoy enamorada de alguien que me ama profundamente y tengo tiempo libre suficiente para hacer lo que me da la gana. Ahora permiso que me voy de viaje a Cancún. ¡Qué bueno verte!


Jamás me pasó.
O bom de começar algo novo pela enésima vez é que dá pra cometer os mesmos erros de sempre com muito mais estilo!

domingo, 5 de outubro de 2014

Forró

Depois de tantos planos que nunca se concretizavam, por fim dançamos.
O salão era só nosso, com exceção de um casal encostado na parede. Já era fim de festa. Você chegou atrasado e eu não esperava te ver ali (eu tinha uma certa esperança de que você aparecesse, é verdade, mas mesmo assim, quando você chegou, me surpreendi).
Feito a nossa medida, percorremos grande área daquele espaço cheio de música. Eu nos seus braços, colando o nariz no seu pescoço. Você cheirando meu cabelo e apertando meu corpo no seu.
Não sei se pela quantidade de álcool ou de giros que você me deu –o mais provável que pela combinação dos dois-, eu me sentia tonta.
Agora pensando bem, acho que o motivo não era nenhum dos dois.
Mas o beijo. Esse beijo. O beijo não era o mesmo.
Fazia mais de dois anos que eu não te beijava.
Mas o beijo não devia ajudar esse momento reprisado?
Eu não era mais a mesma.
Você não era mais o mesmo.
E o beijo.
Aquele beijo.
Definitivamente

não era mais o mesmo. 

domingo, 20 de julho de 2014

A lo mejor las personas no se van del todo. Siempre algo queda. Y no hablo de los recuerdos. Yo hasta me los invento ya. Es que cambian algo dentro de ti que jamás volverá a ser igual.

domingo, 29 de junho de 2014

nunca más




Sorprendida de que otra vez hubiera pasado, de que nuevamente me encontraba en tu cama presa en tus brazos, con mis pelos enrollados en los tuyos, con tu abdomen pegado al mío respirando juntos, jadeantes de eso que algunos llaman amor; después de tiempo sin ti, y antes contigo (un tiempo sola es verdad, pero antes de eso a tu lado aunque antiguamente era otro y anteriormente a este estaban mis dedos entrelazados con los tuyos como ahora), te dije que no esperaba que eso pasara una vez más, que siempre que terminábamos creía que sería la ultima vez.

Sonreíste, me mordiscaste la nariz y me golpeaste con la verdad:
- Entre nosotros -dijiste con esa sonrisa irónica que odio- no existe "nunca más".
Me dolió tan fuerte que hasta ahora intento recuperarme.
Algunas obviedades son obscuras hasta que alguien te las friegue en tu cara.

terça-feira, 3 de junho de 2014

hoy

Sin querer me olvidé de ti. Me olvidé primero tu olor y luego la textura de tus manos. No sé como era el sonido de tu risa y la cara que hacías cuando te amargabas. No encuentro en mi memoria el sabor de tus labios ni los chistes que decías. En mi mente ahora hay un humo oscuro de recuerdos que ya no sé si son verdades o creaciones de mi imaginación tan fértil. Contra toda mi voluntad y luchando mucho para que eso jamás pasara, me olvidé de ti. 

Pero tu lo hiciste a propósito.

futuro

Tal vez luego de unos años nos volvamos a encontrar. Nos enamoraremos de nuevo como si fuera la primera vez. El miedo por decir cosas tontas, las sonrisas nerviosas y la electricidad al tocarnos resurgirán.


En poco tiempo nos amaremos como locos, en cuartos escondidos en la ciudad entre una calle del centro y otra.



Dentro de unos años estaremos fatigados uno del otro. Tú te despertarás a las cuatro de la mañana, empezarás a leer un libro y me mirarás con desdén. Mi pierna desnuda entre las sábanas ya no te dará más ganas. Aun así, tu mano reposará sobre mi piel caliente y quizás sonrías.


A esas alturas, tu abrazo ya no me calentará,  tus besos me darán escalofríos y todas las putas veces que me cojas, sentiré que te cogiste a mi dignidad. 



Apenas nos soportaremos.


Pero, para tanto, seremos extremadamente felices un par de años, como si nada más importara que compartir la vida juntos. Creo que valga la pena.
En diversos momentos del día (incluso en las noches, en mis sueños o borracheras) encuentro detalles que compartir contigo.
Entonces fotografío escenas que quiero enseñarte, grabo las voces que quiero que escuches y capturo en un  pequeño frasquito las ideas que vuelan como mariposas sobre mi cabeza. 
Luego no encuentro lugar donde poner todo eso, ni la manera de hacerlo. 
El almuerzo ayer fue tan apurado.
Ante ayer teníamos tanto sueño.
Hoy, por tu trabajo, ni siquiera te voy a ver.
Mañana, por el mío, solo podré saludarte por el whatsapp.
A veces tan cerca de ti
me siento tan lejos.
Por eso me cierro los ojos mientras me abrazas,
y sueño 
que el ómnibus no se va a ir, que el teléfono en tu bolsillo no va sonar, que a ti no te va vencer el cansancio del día agitado.
Que el minuto junto dura exactos 60 segundo
 y un poco más. 

segunda-feira, 31 de março de 2014

sonho

Quando sonho às vezes tenho a impressão de que faço parte daquela realidade e me confundo tanto com o que de verdade é real que, quando acordo, chego a sentir raiva ou alegria de coisas que na verdade não aconteceram, só aconteceram de verdade, e lá foi muito real, no sonho.
E nesse momento, esse segundo de confusão mental que não é nos minutos do despertar mas nos da vida irreal em que você está despertando, mesmo com a impressão de não haver dormindo antes, é que eu tenho a bizarra sensação de que a gente controla a vida, mas não controla o sonho, ainda que muitas vezes eu tenha podido controlar meus sonhos e não tenha conseguido controlar a vida.

7 de julho

A veces no sé si soy una cosa u otra, si pertenezco al lugar donde me encuentro o aquel de donde vine y que eso realmente me determina. Pienso que quizás no tenga raíces y por eso llevo un gran equipaje donde guardo mi memoria mientras camino por las calles del tiempo, por los instantes de las ciudades que visito.

Al fin y al cabo, todo es una visita.

Quizás cuando esté muy muy lejos de aquí o de allá, me de cuenta finalmente de que no tengo destino ni procedencia, y de que mi lugar en el mundo verdaderamente se halla en mí.

23 de noviembre

La verdad lo que me pudre es algo que le llaman incertidumbre. Uno se queda parado mientras el mundo sigue girando indiferente, severo, apático.

Si supiéramos efectivamente la grandiosidad de nuestra pequeñez, haríamos lo que de verdad nos provoca. 
Y no eso.

Porque al fin y al cabo...

Que mierda estamos haciendo?

março

Al poner mucho empeño en curar una herida del pasado, no nos damos cuenta de que hace mucho no hay ni siquiera la cicatriz. Y es que la vida se te escapa sin que te des cuenta. Ya no lloras. 

Tomas un café y escuchas la lluvia. ¿No sería ese un momento pasajero de cordura?

Me pregunto de qué materia estarán hechos los recuerdos que tengo de ti. 


Quizás de fragancias oscuras...

4 meses

Depois de alguns dias refugiados no próprio orgulho, decidimos então almoçar juntos. Houve uma troca de mensagens curtas e sinceras, combinamos o dia e o horário. Me olhando no espelho enquanto penteava o cabelo, eu tentava decorar o que devia te dizer. Você apareceu no portão de casa de carro e eu não sabia, depois da última conversa e dos dias longe, como fazer uma coisa tão simples como aquela. Sentei, fechei a porta, te olhei nos olhos e você sorriu. Um beijo rápido e sem graça.

A gente mal conversava e eu senti falta da sua mão na minha coxa, como você sempre faz quando esta dirigindo. Às vezes você até troca de marcha com a mão esquerda, só pra não tirar a direita de mim. E quando a gente parava nos faróis você me dava um beijo no rosto. Não dessa vez.

Dessa vez, saímos do carro e andamos lado a lado sem dar as mãos. Sem saber muito o que fazer com as minhas, as meti no bolso da calça. Você acendeu um cigarro pra manter as suas ocupadas. Na fila do bandejão, onde sempre nos abraçamos, eu olhava pra ponta do seu cadarço, com medo de te encarar. Mesmo assim, a gente tentava: você com o canto dos olhos, eu com a cabeça baixa. Em um momento me distraí e você me puxou pra perto de você com a mão por baixo do meu cabelo. Beijou minha testa. Eu suspirei. Alguns passos à frente eu já sentia meus dedos nas pontas dos seus, seu braço na minha cintura, e assim que passamos a catraca, você me abraçou de verdade. Eu te beijei.

Que tarde longa tínhamos pela frente.

Senti como se fosse a primeira vez que a gente se beijasse, mesmo tendo quase certeza de que seria uma das últimas. Depois do almoço, um café no pé da árvore. Acho que estamos indo mal, eu disse, e você não respondeu porque, afinal de contas, o que se pode responder depois disso? Como sempre, seu silêncio me perturbava, sua tranquilidade me agitava. Eu não sei o que se passava pela sua cabeça, mas na minha uma árvore caía, um carro batia num poste e alguém quebrava um vidro com um taco de madeira numa igreja ampla e vazia. Mas a sua respiração estava muito perto da minha e eu sentia meus pelos arrepiando quando você me olhava. Desde o primeiro dia quem que te beijei, eu nunca quis parar de te beijar. E hoje eu precisava?

Decidi continuar beijando nas horas seguintes. Depois que nos despedimos sangrei durante o resto do dia. Pensei que alguns segundos de prazer talvez não valessem uma tarde dolorida. No começo da noite, tive certeza.

Não é fácil. Todo mundo pode acabar machucando alguém de vez em quando. Mas como é difícil quando a culpa, na realidade, não é de ninguém.