segunda-feira, 31 de março de 2014

sonho

Quando sonho às vezes tenho a impressão de que faço parte daquela realidade e me confundo tanto com o que de verdade é real que, quando acordo, chego a sentir raiva ou alegria de coisas que na verdade não aconteceram, só aconteceram de verdade, e lá foi muito real, no sonho.
E nesse momento, esse segundo de confusão mental que não é nos minutos do despertar mas nos da vida irreal em que você está despertando, mesmo com a impressão de não haver dormindo antes, é que eu tenho a bizarra sensação de que a gente controla a vida, mas não controla o sonho, ainda que muitas vezes eu tenha podido controlar meus sonhos e não tenha conseguido controlar a vida.

7 de julho

A veces no sé si soy una cosa u otra, si pertenezco al lugar donde me encuentro o aquel de donde vine y que eso realmente me determina. Pienso que quizás no tenga raíces y por eso llevo un gran equipaje donde guardo mi memoria mientras camino por las calles del tiempo, por los instantes de las ciudades que visito.

Al fin y al cabo, todo es una visita.

Quizás cuando esté muy muy lejos de aquí o de allá, me de cuenta finalmente de que no tengo destino ni procedencia, y de que mi lugar en el mundo verdaderamente se halla en mí.

23 de noviembre

La verdad lo que me pudre es algo que le llaman incertidumbre. Uno se queda parado mientras el mundo sigue girando indiferente, severo, apático.

Si supiéramos efectivamente la grandiosidad de nuestra pequeñez, haríamos lo que de verdad nos provoca. 
Y no eso.

Porque al fin y al cabo...

Que mierda estamos haciendo?

março

Al poner mucho empeño en curar una herida del pasado, no nos damos cuenta de que hace mucho no hay ni siquiera la cicatriz. Y es que la vida se te escapa sin que te des cuenta. Ya no lloras. 

Tomas un café y escuchas la lluvia. ¿No sería ese un momento pasajero de cordura?

Me pregunto de qué materia estarán hechos los recuerdos que tengo de ti. 


Quizás de fragancias oscuras...

4 meses

Depois de alguns dias refugiados no próprio orgulho, decidimos então almoçar juntos. Houve uma troca de mensagens curtas e sinceras, combinamos o dia e o horário. Me olhando no espelho enquanto penteava o cabelo, eu tentava decorar o que devia te dizer. Você apareceu no portão de casa de carro e eu não sabia, depois da última conversa e dos dias longe, como fazer uma coisa tão simples como aquela. Sentei, fechei a porta, te olhei nos olhos e você sorriu. Um beijo rápido e sem graça.

A gente mal conversava e eu senti falta da sua mão na minha coxa, como você sempre faz quando esta dirigindo. Às vezes você até troca de marcha com a mão esquerda, só pra não tirar a direita de mim. E quando a gente parava nos faróis você me dava um beijo no rosto. Não dessa vez.

Dessa vez, saímos do carro e andamos lado a lado sem dar as mãos. Sem saber muito o que fazer com as minhas, as meti no bolso da calça. Você acendeu um cigarro pra manter as suas ocupadas. Na fila do bandejão, onde sempre nos abraçamos, eu olhava pra ponta do seu cadarço, com medo de te encarar. Mesmo assim, a gente tentava: você com o canto dos olhos, eu com a cabeça baixa. Em um momento me distraí e você me puxou pra perto de você com a mão por baixo do meu cabelo. Beijou minha testa. Eu suspirei. Alguns passos à frente eu já sentia meus dedos nas pontas dos seus, seu braço na minha cintura, e assim que passamos a catraca, você me abraçou de verdade. Eu te beijei.

Que tarde longa tínhamos pela frente.

Senti como se fosse a primeira vez que a gente se beijasse, mesmo tendo quase certeza de que seria uma das últimas. Depois do almoço, um café no pé da árvore. Acho que estamos indo mal, eu disse, e você não respondeu porque, afinal de contas, o que se pode responder depois disso? Como sempre, seu silêncio me perturbava, sua tranquilidade me agitava. Eu não sei o que se passava pela sua cabeça, mas na minha uma árvore caía, um carro batia num poste e alguém quebrava um vidro com um taco de madeira numa igreja ampla e vazia. Mas a sua respiração estava muito perto da minha e eu sentia meus pelos arrepiando quando você me olhava. Desde o primeiro dia quem que te beijei, eu nunca quis parar de te beijar. E hoje eu precisava?

Decidi continuar beijando nas horas seguintes. Depois que nos despedimos sangrei durante o resto do dia. Pensei que alguns segundos de prazer talvez não valessem uma tarde dolorida. No começo da noite, tive certeza.

Não é fácil. Todo mundo pode acabar machucando alguém de vez em quando. Mas como é difícil quando a culpa, na realidade, não é de ninguém.