domingo, 6 de agosto de 2017

[Despedida III]

De buena, Buenos Aires tem muitas praças. Nos dias em que a solidão apertou, elas foram espécie de porto seguro em que eu me sentia confortável pra me acalmar e me distrair. Descobri uma pertinho da UBA que era bem mais silenciosa que a biblioteca subterrânea daquele prédio. Nela, um homem sentado na grama apoiado em uma árvore lia um livro, quando o cão que estava ao seu lado se libertou da coleira e foi até mim decidido como uma flecha, certeiro e ágil sem perder a graciosidade. Ele apoiou a cabeça no meu colo enquanto abanava o rabo e eu lhe acariciei o corpo gordo e peludo. O dono se levantou depressa me pedindo desculpas, sorrindo e dizendo que o cão devia estar procurando comida. Não tinha porque desculpar o dono. Eu queria era agradecer o cão que não devia saber que ao me pedir atenção (ou comida), ele é quem estava me dando o carinho que eu precisava. Essa cena é uma das memórias gostosas que tenho da cidade.

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